Categoria: Séries TV
Bugonia
Uma comédia ácida conduzida como um duelo sofisticado entre Emma Stone e Jesse Plemons. Em Bugonia, Yorgos Lanthimos retorna ao território que mais domina: o absurdo como lente para observar o mundo contemporâneo. Conspirações, colapsos ambientais e paranoia coletiva se misturam em um filme que assume desde o início seu caráter artificial e performático. Não é uma obra guiada pela empatia tradicional, mas por uma curiosidade quase clínica, que transforma o desconforto em motor narrativo. A força do filme está, sobretudo, na direção. Lanthimos demonstra controle absoluto de tom, ritmo e mise en scène, criando um universo onde cada enquadramento parece calculado para reforçar a sensação de estranhamento. A fotografia de Robbie Ryan e a trilha inquieta de Jerskin Fendrix não apenas embelezam o filme, mas ajudam a construir uma atmosfera de tensão constante, onde o grotesco e o humor coexistem de forma instável e fascinante. No centro dessa engrenagem estão Emma Stone e Jesse Plemons, envolvidos em um embate que funciona menos como drama psicológico e mais como jogo de forças. Plemons constrói um personagem dominado pela convicção, alguém que transforma delírio em propósito, enquanto Stone responde com uma atuação precisa, marcada por controle, resistência e adaptação. O prazer do filme está justamente em observar esse confronto, sustentado pela química entre os dois e pela maneira como Lanthimos coreografa cada interação. Bugonia talvez não busque emoção no sentido clássico, mas compensa isso com rigor formal e clareza de intenção. É um filme que aposta na encenação, na estética e na ideia como experiência, e que se sustenta pela confiança de um diretor plenamente consciente do que quer provocar. Lanthimos entrega aqui uma obra provocadora, visualmente vibrante e intelectualmente estimulante, que reafirma sua assinatura autoral e seu domínio absoluto da linguagem cinematográfica.
Uma Batalha Após a Outra
Está entre um dos filmes mais relevantes do ano, ainda que Leonardo DiCaprio já tenha performances mais fortes no currículo. Uma Batalha Após a Outra carrega um peso simbólico antes mesmo de começar. Não apenas por marcar o primeiro encontro entre Paul Thomas Anderson e Leonardo DiCaprio, mas por representar o momento mais ambicioso da carreira do diretor em termos de escala. Ainda assim, o filme não se apoia no espetáculo puro. Anderson usa o orçamento como ferramenta, não como muleta, construindo uma obra que prende pela curiosidade e pela tensão crescente, mesmo quando escolhe avançar com calma. A primeira metade funciona quase como um estudo de formação. O filme se detém na construção de um grupo revolucionário e nas contradições que movem seus integrantes, ainda que esse trecho exija certa paciência do espectador. Em compensação, os personagens ganham densidade, especialmente o papel vivido por Sean Penn, que transita entre ameaça real e uma estranheza quase cômica, tornando-se uma presença magnética sempre que surge em cena. Quando a narrativa avança no tempo, o filme muda de pulso. O que antes era preparação se transforma em movimento constante, com perseguições, confrontos e uma sensação de avanço inevitável. Anderson brinca com códigos de diferentes gêneros e encontra um equilíbrio raro entre tensão, humor deslocado e momentos de absurdo calculado. Tudo isso sem perder o controle do tom, algo que poderia facilmente descambar para o excesso. Leonardo DiCaprio acompanha essa lógica com uma atuação que foge do heroísmo tradicional. Seu personagem se desgasta, se contradiz e se expõe ao ridículo sem proteção. Ainda que Uma Batalha Após a Outra não represente o ponto mais alto nem da filmografia de Anderson nem da carreira de DiCaprio, o filme se impõe como um dos trabalhos mais fortes do ano. Não é uma obra definitiva, mas é um cinema confiante, envolvente e feito por alguém que sabe exatamente o que está fazendo.
Invocação do Mal 4: O Último Ritual
Wilson e Farmiga entregam atuações sólidas outra vez, tentando sustentar um filme que se perde no próprio excesso de duração. Doze anos depois do primeiro Invocação do Mal, a franquia chega ao seu encerramento dando sinais claros de esgotamento criativo. O impacto que James Wan causou ao revitalizar o terror paranormal ainda é inegável, mas O Último Rito surge como um produto de uma fórmula que já foi esticada além do razoável. O filme parece consciente de seu próprio peso histórico, mas incapaz de encontrar uma forma realmente inspirada de se despedir. O foco evidente está em Ed e Lorraine Warren, e nesse ponto o filme não falha. Patrick Wilson e Vera Farmiga continuam sendo o coração da saga, entregando performances comprometidas e carismáticas mesmo quando o material ao redor não colabora. Há um esforço claro em transformar essa despedida em algo emocionalmente relevante, mas a tentativa se perde em uma estrutura inchada, que alterna drama familiar e investigação paranormal sem encontrar equilíbrio. O maior obstáculo do filme é seu ritmo. Com mais de duas horas de duração, a narrativa avança de maneira arrastada, concentrando desenvolvimento demais no início e deixando pouco espaço para o impacto final. Os sustos, antes eficazes, agora soam previsíveis e repetitivos, como variações de ideias já exploradas exaustivamente ao longo da franquia. A direção até encontra bons momentos pontuais, mas raramente consegue gerar tensão genuína. Curiosamente, é no último ato que o filme finalmente ganha energia. O clímax é bem conduzido, intenso e tecnicamente competente, lembrando o potencial que a saga já teve. Ainda assim, o caminho até ali cobra um preço alto demais. O Último Rito funciona mais como um encerramento protocolar do que como um verdadeiro ápice, reforçando a sensação de que, criativamente, talvez esse universo já tivesse dito tudo o que tinha a dizer.
Superman
Com segurança criativa e identidade própria, James Gunn assina um dos títulos mais marcantes do cinema de super-heróis e reposiciona a DC em outro patamar. Nunca foi fácil me conectar com o Superman. A aura de perfeição e moral absoluta sempre me soou distante, quase intransponível. Por isso, a ideia de mais uma reinvenção do personagem não despertava grande entusiasmo. Ainda assim, o filme de James Gunn consegue algo raro: tornar o Homem de Aço interessante sem tentar desconstruí lo à força ou torná lo cínico. A escolha de Gunn é clara desde o início. Não há tempo gasto explicando origens ou revivendo tragédias já conhecidas. O Superman já existe, já é observado, admirado e contestado. Essa decisão dá ao filme um ritmo ágil e confiante, permitindo que a narrativa avance sem se apoiar em muletas expositivas. O universo apresentado é vivo, povoado por personagens que entram e saem com naturalidade, contribuindo para a sensação de um mundo em pleno funcionamento. Mesmo com tantos elementos em jogo, o filme encontra seu centro em David Corenswet. Sua interpretação traz uma humanidade tranquila ao personagem, fazendo com que a ideia de bondade não pareça ingênua, mas uma escolha consciente. Ao seu redor, o Lex Luthor de Nicholas Hoult surge como uma ameaça convincente, menos caricata e mais movida por obsessão e ressentimento, o que fortalece o conflito central e dá peso dramático à história. No fim, Superman não tenta reinventar o gênero, nem precisa. O mérito está na clareza de visão e na forma como James Gunn articula seus ingredientes, equilibrando leveza, espetáculo e emoção sem perder identidade. É um filme que entende o personagem, respeita sua essência e, ao mesmo tempo, aponta um caminho sólido e empolgante para o futuro da DC.
M3GAN 2.0
Há diversão genuína em Megan 2, mas o filme não sabe sustentar essa vibração até o fim. Existe algo deliberadamente anacrônico em M3GAN 2.0. O filme parece mirar menos no terror contemporâneo e mais naquela tradição do cinema descartável, feito para rir, mastigar pipoca e sair da sessão sem carregar nada além de uma leve dor de cabeça. Nesse sentido, ele acerta o espírito, mesmo que isso signifique abdicar de qualquer pretensão de refinamento. A grande virada está no abandono quase total do terror. A boneca deixa de ser ameaça e vira protagonista absoluta, conduzindo a história como se estivesse plenamente consciente do absurdo ao redor. Quando M3GAN está em cena, o filme encontra ritmo, ironia e um tipo específico de carisma que sustenta até as decisões mais estapafúrdias. Quando ela some, tudo perde energia e passa a parecer um produto genérico feito para preencher catálogo. O problema é que essa diversão nunca é levada às últimas consequências. O roteiro tenta articular um comentário sobre inteligência artificial, responsabilidade e limites éticos, mas faz isso de forma rasa e contraditória, como se tivesse medo de assumir o próprio deboche. A sensação constante é de contenção, de um filme que poderia ser mais ousado, mais caótico e mais cruel, mas escolhe o caminho seguro. M3GAN 2.0 diverte enquanto aceita ser levado como piada, mas se sabota sempre que tenta parecer relevante. É um passatempo barulhento, consciente de sua própria estupidez, que funciona melhor como lembrança de um tipo de cinema que quase não existe mais do que como sequência à altura do original.
Mickey 17
Robert Pattinson em ótimo momento, mas o novo sci-fi de Bong Joon-ho desanda no caminho. Em Mickey 17, Bong Joon-ho parece menos interessado em conduzir uma narrativa clássica e mais empenhado em tensionar ideias, conceitos e limites. A premissa é estranha, provocadora e encontra em Robert Pattinson um ator disposto a abraçar o absurdo com entrega total. Os minutos iniciais funcionam muito bem justamente por isso, criando um universo desconfortável, irônico e curioso, que prende pela sensação constante de instabilidade. O problema surge quando o filme tenta avançar. A sensação de descoberta dá lugar à insistência, e o que antes provocava passa a se repetir. As ideias não se aprofundam, apenas retornam sob novas formas, fazendo com que a crítica social perca força e passe a soar mais declarativa do que incisiva. A sátira cresce, mas sem a mesma inteligência que marcava o início. Do ponto de vista visual, Bong segue preciso e inventivo. A escala do projeto nunca apaga sua identidade como diretor, e o elenco ajuda a sustentar o interesse mesmo quando o roteiro começa a patinar. Ainda assim, forma e conteúdo parecem caminhar em direções diferentes, especialmente quando o filme tenta transformar excesso em clímax narrativo. No fim, Mickey 17 deixa uma impressão ambígua. Há talento, boas ideias e uma atuação central marcante, mas falta rigor para organizar tudo isso em algo mais coeso. O resultado é um filme que intriga mais pelo potencial do que pela realização, confirmando Bong Joon-ho como um cineasta inquieto, ainda que aqui menos preciso do que em seus melhores trabalhos.
Wicked | Nova temporada do musical no Brasil ganha novas datas
Fãs também podem adquirir ingresso promocional, que dá direito a uma visita guiada aos bastidores A nova temporada do musical Wicked no Brasil ganhou novas datas para 2025! Além disso, os fãs que acessarem o site da bilheteria até amanhã (13) poderão comprar um ingresso promocional, que dá direito a uma visita guiada aos bastidores do espetáculo uma hora antes da sessão para a qual compraram o ingresso. Confira abaixo o anúncio oficial: Myra Ruiz (Elphaba) e Fabi Bang (Glinda) retornam como o par de protagonistas. Além delas, mais 34 atores se juntam ao elenco de coadjuvantes e ensemble. A montagem contará com Karin Hils (Madame Morrible), Hipólyto (Fiyero), Baccic (Mágico de Oz), Luisa Bresser (Nessarose), Thadeu Torres (Boq) e Arízio Magalhães (Dr. Dillamond), além de uma orquestra formada por 17 músicos. Os outros atores que fazem parte do elenco da montagem brasileira são: Afonso Monteiro (Ensemble), Ana Araújo (Ensemble/ Madame Morrible cover), Bel Barros (Ensemble/Glinda cover), Bella Daneluz (Ensemble), Belle Ramos Abib (Ensemble), Bruno Albuquerque (Ensemble), Clarty Galvão (Ensemble), Daniel Caldini (Ensemble), Edmundo Vitor (Ensemble/ Fiyero cover), Gabriela Gatti (Ensemble/ Elphaba cover), Giselle Alfano (Ensemble), Larissa Grajauskas (Ensemble), Lucas Bocalon (Ensemble/ Boq cover), Marco Azevedo (Ensemble/ Dr. Dillamond cover), Mariana Giannotti (Ensemble), Nicole Luz (Ensemble/ Nessarose cover), Pedro Navarro (Ensemble), Rodrigo Garcia (Ensemble/ Fiyero cover), Tabatha Almeida (Ensemble/ Elphaba cover), Talihel (Ensemble/ Chistery), Thaiane Chuvas (Ensemble), Thiago Perticarrari (Ensemble/ Mágico de Oz cover), Verônica Goeldi (Ensemble/ Glinda cover), Vitor Veiga (Ensemble), Alvinho de Pádua (Swing), Mari Saraiva (Swing), Sérgio Blur (Swing) e Vanessa Costa (Swing/ Dance Captain). Serviço A nova temporada promete emocionar o público e reforçar o sucesso do musical no Brasil.
Doctor Who | Especial 1 – Crítica
Doctor Who: Especial com o retorno de David Tennant já está disponível na Disney+.
Os Bucaneiros – Primeiras Impressões
Os Bucaneiros parece a resposta da Apple TV+ a um dos grandes fenômenos da Netflix, “Bridgerton”. E uma vez lançado podemos dizer que, de fato, se inspira muito na série Shonda Rhimes.
Gen V | 1 Temporada – Crítica
Se você ainda não se cansou de toda a violência vista em The Boys, em Gen V a Amazon Prime Video continua ampliando o universo de uma de suas melhores produções. Entre a infinidade de séries que a Amazon vem lançando no Prime Video ao longo dos anos, acho que ninguém duvida que The Boys é um de seus maiores sucessos. Com três temporadas já lançadas e uma quarta já filmada, seu universo é ampliado com o lançamento de “Gen V”, seu primeiro spin-off. Confira também: A Queda Da Casa De Usher | Outro ótimo trabalho de Mike Flanagan Um dos grandes atrativos da ‘Geração V’ para os fãs de ‘The Boys’ é que sua história corre paralela à da 4ª temporada, mas já aviso que a série liderada por Michele Fazekas e Tara Butters não vai dar grandes detalhes do que os espera pela frente. Sim, existem ligações óbvias e várias participações especiais, mas aqui os responsáveis focaram-se em dar-lhe uma entidade própria dentro deste universo. É evidente que em The Boys o sistema daquela sociedade está completamente corrompido, mas até agora tudo estava orientado para a oposição entre os seus personagens. Sim, houve algumas mudanças de lado, mas no geral tudo é preto ou branco apesar de alguns se apegarem à impossibilidade de uma possível redenção. Aqui ele promove o mistério em torno do que realmente está acontecendo naquela universidade de super-heróis, tecendo a trama em torno disso, mas sem nunca esquecer a importância de seus personagens terem um gancho para que Geração V funcione além do que desejamos. Encontrando seu espaço Aí é verdade que o peso se distribui entre vários personagens, mas também que quem se destaca dos demais é Marie, uma recém-chegada a Godolkin que sofreu uma experiência trágica quando seus poderes apareceram e que em breve verá como seu sonho de se tornar uma super-heroína toma um rumo inesperado. Jaz Sinclair, que conhecemos de “O Mundo Sombrio de Sabrina”, joga bem com as contradições da personagem e sua função como principal referência dramática é um sucesso. Claro que, como já referi, existem outras personagens importantes na história, através das quais se ampliam as ramificações do mistério, mas não são utilizadas apenas para esse fim. Afeta também a rivalidade para se destacar dentro do Top 10 elaborado pela própria universidade ou pelo simples fato de as motivações de todas elas não irem na mesma direção. Dessa forma, Gen V oferece um retrato variado e atraente que em nada deixa a sensação de ser um complemento descartável ao universo The Boys. Ouça o Podcast: Only Murders in the Building | Temporada 3 A isso acrescentamos um estilo muito parecido com The Boys, o que significa que você encontrará doses generosas de sangue e violência, e um toque característico na hora de usar o humor e sua ousadia na hora de mostrá-lo visualmente em vez de brincar com o poder da sugestão. Aqui a sutileza não tem lugar, e temos um bom exemplo disso na cena em que a fantasia sexual de um personagem se torna realidade. Ouso dizer com prazer que Gen V é melhor que a 3ª temporada de The Boys. Claro que existe um grande esforço para um calibragem perfeita desse grande produto, porém em sua primeira temporada é encontrado doses perfeitas de divertimento e entretenimento, e mais do que isso é uma produção que realmente consegue recuperar todo o interesse daqueles que já perderam na franquia da Amazon. A primeira temporada de Gen V está disponível na Netflix
