M3GAN 2.0
Há diversão genuína em Megan 2, mas o filme não sabe sustentar essa vibração até o fim.
Existe algo deliberadamente anacrônico em M3GAN 2.0. O filme parece mirar menos no terror contemporâneo e mais naquela tradição do cinema descartável, feito para rir, mastigar pipoca e sair da sessão sem carregar nada além de uma leve dor de cabeça. Nesse sentido, ele acerta o espírito, mesmo que isso signifique abdicar de qualquer pretensão de refinamento.
A grande virada está no abandono quase total do terror. A boneca deixa de ser ameaça e vira protagonista absoluta, conduzindo a história como se estivesse plenamente consciente do absurdo ao redor. Quando M3GAN está em cena, o filme encontra ritmo, ironia e um tipo específico de carisma que sustenta até as decisões mais estapafúrdias. Quando ela some, tudo perde energia e passa a parecer um produto genérico feito para preencher catálogo.
O problema é que essa diversão nunca é levada às últimas consequências. O roteiro tenta articular um comentário sobre inteligência artificial, responsabilidade e limites éticos, mas faz isso de forma rasa e contraditória, como se tivesse medo de assumir o próprio deboche. A sensação constante é de contenção, de um filme que poderia ser mais ousado, mais caótico e mais cruel, mas escolhe o caminho seguro.
M3GAN 2.0 diverte enquanto aceita ser levado como piada, mas se sabota sempre que tenta parecer relevante. É um passatempo barulhento, consciente de sua própria estupidez, que funciona melhor como lembrança de um tipo de cinema que quase não existe mais do que como sequência à altura do original.
