Invocação do Mal 4: O Último Ritual

Invocação do Mal 4: O Último Ritual

Wilson e Farmiga entregam atuações sólidas outra vez, tentando sustentar um filme que se perde no próprio excesso de duração.

Doze anos depois do primeiro Invocação do Mal, a franquia chega ao seu encerramento dando sinais claros de esgotamento criativo. O impacto que James Wan causou ao revitalizar o terror paranormal ainda é inegável, mas O Último Rito surge como um produto de uma fórmula que já foi esticada além do razoável. O filme parece consciente de seu próprio peso histórico, mas incapaz de encontrar uma forma realmente inspirada de se despedir.

O foco evidente está em Ed e Lorraine Warren, e nesse ponto o filme não falha. Patrick Wilson e Vera Farmiga continuam sendo o coração da saga, entregando performances comprometidas e carismáticas mesmo quando o material ao redor não colabora. Há um esforço claro em transformar essa despedida em algo emocionalmente relevante, mas a tentativa se perde em uma estrutura inchada, que alterna drama familiar e investigação paranormal sem encontrar equilíbrio.

O maior obstáculo do filme é seu ritmo. Com mais de duas horas de duração, a narrativa avança de maneira arrastada, concentrando desenvolvimento demais no início e deixando pouco espaço para o impacto final. Os sustos, antes eficazes, agora soam previsíveis e repetitivos, como variações de ideias já exploradas exaustivamente ao longo da franquia. A direção até encontra bons momentos pontuais, mas raramente consegue gerar tensão genuína.

Curiosamente, é no último ato que o filme finalmente ganha energia. O clímax é bem conduzido, intenso e tecnicamente competente, lembrando o potencial que a saga já teve. Ainda assim, o caminho até ali cobra um preço alto demais. O Último Rito funciona mais como um encerramento protocolar do que como um verdadeiro ápice, reforçando a sensação de que, criativamente, talvez esse universo já tivesse dito tudo o que tinha a dizer.